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1914, um Ano Marcado
“FIM de todos os reinos em 1914!” Esse foi o chamativo título de um artigo publicado sobre as Testemunhas de Jeová em uma revista secular chamada New World Magazine, na edição de 30 de agosto de 1914. Um trecho do artigo continua: “O terrível estouro da guerra na Europa cumpriu uma profecia extraordinária. ‘Cuidado com 1914’ tem sido o clamor de centenas de evangelistas itinerantes que, representando essa estranha crença, percorreram o país proclamando a doutrina de que ‘O Reino de Deus está próximo’.”
Os eventos mundiais a partir de 1914 e depois, começando com a Primeira Guerra Mundial, cumprem as profecias relativas ao fim deste mundo e, assim, se revelam como o sinal visível do estabelecimento do Reino de Jeová por meio de seu Cristo naquele ano notável. Tudo isso significa que a soberania divina, tal como outrora exercida por Deus sobre a terra, deveria ser restaurada de fato no ano de 1914. Como foi predito, acontecimentos de grande importância ocorreram naquela época, e ainda continuam a ocorrer, afetando profundamente o destino de todos os tipos de homens na terra hoje.
E mesmo que muito poucas pessoas tenham dado atenção a essa mensagem incomum, o ano de 1914 foi realmente um ano crucial! Foi um ano de mudanças radicais tanto nos céus quanto na terra. Escritores, sociólogos e cientistas admitiram que jamais houve um ano como 1914.
Um famoso cientista, um dos criadores da bomba atômica, disse em 1951: “Não tivemos um mundo pacífico desde 1914.” Um professor associado de história na Universidade de Columbia escreveu: “De fato, é o ano de 1914, e não o de Hiroshima, que marca o ponto de virada em nosso tempo, pois agora podemos ver que, qualquer que seja o futuro, foi a Primeira Guerra Mundial que inaugurou a era de transição confusa na qual estamos nos debatendo.” Essa opinião foi compartilhada por outro jornalista de destaque ao comparar as duas guerras mundiais: “A primeira guerra marcou uma mudança muito maior na história. Ela encerrou uma longa era de paz geral e iniciou uma nova era de violência, na qual a segunda guerra é apenas um episódio. Desde 1914, o mundo adquiriu um novo caráter: um caráter de anarquia internacional… Assim, a Primeira Guerra Mundial marca um ponto de virada na história moderna.” Outro observador competente disse: “Há quarenta anos, o mundo de um dia para o outro passou da ‘era dourada’ para a época vulcânica marcada por guerras sangrentas.” E o notável autor britânico Bertrand Russell comentou: “Desde 1914, o mundo tem se debatido como bêbado rumo ao desastre.”
Mesmo que a maioria não queira admitir que os eventos relativos àquele ano foram preditos milhares de anos atrás na Palavra de Deus, a realidade demonstra esses acontecimentos. Negar a mudança é ignorar os fatos.
Por que 1914?
No outono de 1914, para Jeová, o Soberano Universal, era o momento de agir! Uma ação em escala global, sim, em escala universal, estava prestes a acontecer. O período de espera havia terminado, e agora se realizava o desejo de todos os justos. Cristo Jesus, o comprovado e testado Rei do novo mundo, foi entronizado e recebeu autoridade soberana do alto. Finalmente, o reino dos céus foi estabelecido na pessoa de seu governante ungido, Cristo, o Rei. Pela primeira vez em quase seis mil anos, existia na terra inteira um novo governo teocrático com direito de governo vindo diretamente de Deus, o verdadeiro Soberano. A Bíblia nos dá um vislumbre da gloriosa cerimônia de entronização que ocorreu em 1914: “Vi nas visões da noite, e eis que com as nuvens do céu veio um como o Filho do Homem [Cristo Jesus], e dirigiu-se ao Ancião de Dias [Jeová Deus], e o trouxeram diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino, que não será destruído.” (Daniel 7:13,14) Assim, por volta de 1º de outubro de 1914, a soberania divina capacitou um governo teocrático a assumir o controle de toda a terra. O “mais humilde da humanidade”, Cristo Jesus, foi agora exaltado com o direito ao reino para sempre. Que alegria houve no céu! “E houve vozes altas no céu, dizendo: ‘O reino do mundo se tornou o reino de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará como rei para todo o sempre.’” (Apocalipse 11:15)
Quais evidências físicas existem, então, que indicam que 1914 foi um ano marcante quanto ao fim dos “tempos determinados” das nações, conforme também disse a Bíblia? (Lucas 21:24). Relacionado a isso, os discípulos perguntaram a Jesus: “Dize-nos, quando acontecerão estas coisas, e qual será o sinal da tua presença e da consumação do sistema de coisas?” (Mateus 24:3).
Na resposta de Jesus a essa pergunta, Ele descreveu muitas coisas que ocorreriam na terra como provas concretas de que o estabelecimento do Reino era um fato consumado. Esses eventos deveriam ocorrer dentro do curto período conhecido como a “consumação do sistema de coisas”. Em nenhum outro momento da história anterior todas essas coisas aconteceram ao mesmo tempo, formando um sinal composto, como tem sido desde 1914.
Consideremos, então, a seguinte enumeração de alguns dos acontecimentos previstos por Cristo em Sua resposta à pergunta dos discípulos, para os quais há abundância de evidências físicas. Em Mateus, capítulo 24, podemos encontrar essas provas e sinais visíveis que mostram a presença de Jesus Cristo, permitindo-nos localizá-los facilmente no tempo.
Guerras e rumores de guerras”
“E ouvireis de guerras e rumores de guerras; olhai, não vos assusteis; porque é necessário que tudo isto aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino.” – Mateus 24:6,7
Tudo começou no verão de 1914. A primeira guerra começou de repente, e os acontecimentos se sucederam em pouquíssimo tempo. A Áustria declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914. A Alemanha declarou guerra à Rússia em 1º de agosto e à França em 3 de agosto. Os alemães entraram na Bélgica, violando o tratado garantido pela Grã-Bretanha. A Grã-Bretanha pediu à Alemanha que garantisse a neutralidade da Bélgica até a meia-noite de 4 de agosto; a Alemanha recusou. A Grã-Bretanha declarou guerra em 4 de agosto. Turquia, Bulgária e Romênia se juntaram às Potências Centrais. O Japão declarou guerra à Alemanha em 23 de agosto de 1914. De fato, o mundo gentio enlouqueceu entre 28 de julho e 4 de agosto, desencadeando a guerra mais sangrenta da história da Terra até aquele momento. Assim como as Escrituras previram: “nação se levantará contra nação e reino contra reino.” – Mateus 24:7
Desastres naturais, fomes, doenças
“E haverá fomes e terremotos em vários lugares” – Mateus 24:7
Em 15 de agosto de 1950, ocorreu o terremoto mais severo do século 20, chamado de “o maior da geração atual” e “o abalo natural mais drástico em uma região povoada que o mundo já conheceu”, centrado no nordeste da Índia, em Assam, no Nepal e no sul do Tibete. O terremoto foi tão violento que alguns rios da região desapareceram e outros mudaram seus cursos. O afluente do Brahmaputra, o Subansiri, causou destruição em 1.500 vilarejos. Montanhas inteiras desabaram, soterrando vilarejos.
Mas antes de 1914 não havia terremotos?
Claro que havia, mas as estatísticas mostram que a taxa anual de mortalidade acelerou após 1914. A ciência observa uma mudança estranha no comportamento dos terremotos desde a Primeira Guerra Mundial. Diz a revista Scientific American, setembro de 1950: “Grandes terremotos costumavam ocorrer em grupos, cada período de atividade sendo seguido por um período de descanso. Mas os períodos de atividade tornaram-se progressivamente mais curtos e mais próximos entre si. Desde 1948, o padrão entrou em uma nova fase, com aproximadamente um grande terremoto por ano.” É um aviso de que estamos nos “últimos dias”. Uma bomba atômica do tipo Hiroshima equivale a 20.000 toneladas de TNT. O terremoto de Assam, no verão passado, teve uma potência equivalente a 1.100.000 bombas atômicas. Foi sentido em um raio de 11.000 km² e os tremores secundários duraram quase um mês.
Após a Primeira Guerra Mundial, ocorreram longos períodos de fome e doenças mortais. Somente a gripe espanhola, entre 1918 e 1920, causou a morte de mais de 80 milhões de pessoas.
Existem outros acontecimentos que Jesus Cristo mencionou, os quais serão evidências de Sua presença como Rei desde 1914 e, ao mesmo tempo, sinais do “fim deste mundo”:
- Perseguição aos cristãos – “Então vos entregarão para serdes afligidos, e vos matarão; e sereis odiados por todas as nações por causa do meu nome.” – Mateus 24:9
- Muitas religiões cristãs falsas – “Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.” – Mateus 24:5
- Pregação mundial das boas novas do Reino – “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” – Mateus 24:14
- Formação da Liga das Nações e das Nações Unidas – “Quando, pois, virdes a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, estar no lugar santo (quem lê, entenda)” – Mateus 24:15. A Liga das Nações foi criada em 1919 e, posteriormente, em 1945, recebeu um novo nome: “Nações Unidas”. Sobre essa organização, a Bíblia diz em Apocalipse 17:11 – “E o animal que foi e não é, é ele mesmo o oitavo, e é dos sete, e vai para a perdição.”
- Aumento da delinquência juvenil – “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos perigosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, vangloriosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, profanos, sem afeto natural, implacáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, sem amor do bem, traidores, obstinados, orgulhosos, amantes de prazeres mais do que amantes de Deus” – 2 Timóteo 3:1-4
- Estado geral de indiferença quanto à Palavra de Deus – “Porque assim como nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não perceberam até que veio o dilúvio e os levou a todos; assim será a vinda do Filho do Homem.” – Mateus 24:38-39
- O juízo de Jesus Cristo, separando as pessoas como ovelhas e cabritos – “Quando, porém, o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono de sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda.” – Mateus 25:31-33
· O surgimento do servo mau (ou homem do pecado) e do servo fiel e prudente – “Portanto, estai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do Homem. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem seu senhor constituiu sobre sua casa, para lhes dar o alimento no tempo devido?” – Mateus 24:45-46
Não se pode negar que 1914 marcou o início de um período terrível e crucial, que continua até hoje: guerras globais mais horrendas em magnitude e consequências do que todas as guerras anteriores somadas; escassez de alimentos sem precedentes; pestes e doenças que até a medicina moderna não consegue controlar; delinquência moral e social em escala mundial; e, em todos os níveis da sociedade e em todas as nações, medo, angústia e perplexidade enchendo os corações das pessoas de dor e sofrimento. Jesus declarou que, reunidos, todos esses eventos constituiriam um sinal inegável.
Mas como podemos provar pela Bíblia que 1914 é o ano do estabelecimento do Reino nos céus e o ano da presença de Jesus Cristo como Rei?
Para isso, retomamos as palavras de Jesus em continuação de sua resposta aos discípulos, agora em Lucas 21:24: “Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem.” Este período chamado “tempos dos gentios” é justamente a era histórica em que podemos situar a presença de Jesus e o início do Reino de Deus nos céus.
Vamos voltar à história bíblica. Como Redentor, em 1513 a.C., Jeová adquiriu Israel como seu povo, libertou-os do Egito e os organizou sob um governo teocrático típico, que Ele capacitou por Sua soberania, tornando-se também seu governante invisível. Ele conduziu Seu povo à Terra Prometida para que a possuíssem no ano de 1473 a.C.
A condição para que Ele fosse seu Líder e eles fossem Seu povo, a fim de herdarem a terra que lhes fora dada, era a fidelidade à Aliança feita com eles. Contudo, com o tempo, a maioria do povo de Israel e Judá, assim como seus reis, negou Jeová como seu Soberano e, em vez disso, escolheu seguir seus próprios caminhos rebeldes, semelhantes aos povos vizinhos, das nações do mundo de Satanás, que agiam dessa forma há séculos. Então, Jeová desaprovou esse governo teocrático típico e cessou Seu controle soberano por um período, permitindo que Jerusalém ficasse sob a dominação dos povos gentios.
O último rei infiel, Zedequias, foi deposto do trono de Judá em 607 a.C. Naquele tempo, Jeová declarou em Ezequiel 21:25-27 que o governo humano seria derrubado, e tudo ficaria em desordem até que chegasse o homem a quem pertencia o direito. A mensagem enfatiza que o alto seria abatido e o baixo exaltado, e que tudo permaneceria em ruínas até que o legítimo governante recebesse o domínio que lhe era devido.
Esse ano coincide com a destruição completa de Jerusalém pelas forças babilônicas de Nabucodonosor. Sabemos que foi por volta de 607 a.C., pois a profecia dos “70 anos de desolação de Jerusalém” começou nesse período e se cumpriu em 537 a.C., ano amplamente aceito pelos historiadores como o momento em que Ciro decretou o retorno dos judeus e a reconstrução do Templo em Jerusalém.
A partir da profecia dos “7 tempos” em Daniel capítulo 4, podemos concluir que o fim dos “tempos dos gentios” ocorrerá após o cumprimento desses “7 tempos”, contados a partir de 607 a.C. Não nos apegamos à interpretação da profecia em si, mas utilizamos apenas o cálculo matemático para determinar o período de tempo.
Para esse cálculo, recorremos à Bíblia. Em Apocalipse 12:6 encontramos a chave: “E a mulher fugiu para o deserto, onde tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada por mil duzentos e sessenta dias.” A mesma ideia é repetida no versículo 14 do mesmo capítulo, de forma diferente: “E foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, da presença da serpente.” Esse versículo conclui que o período de “3 tempos e meio” equivale a 1.260 dias. Portanto, os “7 tempos” correspondem a 2.520 dias.
Agora seguiremos a regra divina de Números 14:34, quando Jeová condenou a nação a 40 anos de peregrinação no deserto, sem controle soberano da terra: “Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, um ano para cada dia, vos fareis carregar com vossas iniquidades quarenta anos, e conhecereis a minha alienação.”
Se aplicarmos esse cálculo a partir do ano 607 a.C., encontramos que os 2.520 anos terminam em 1914 d.C. Do ano 607 a.C. até 1 d.C. são 606 anos. De 1 d.C. até 1914 d.C. são 1.914 anos. Somando 606 + 1.914, temos 2.520 anos.
Enquanto a terra está cheia de aflições em uma escala jamais experimentada pelo homem, a libertação se aproxima para aqueles de coração sincero que suspiram e choram por todas as abominações cometidas na terra. Para nós, que passamos por esses tempos difíceis desde o ano marcado de 1914, Jesus disse: “Mas, quando essas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.” – Lucas 21:28.